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Dia de São Cosme e Damião: Uma tradição à beira do esquecimento nas ruas de Barroso

Dia de São Cosme e Damião: Uma tradição à beira do esquecimento nas ruas de Barroso

56Celebrados oficialmente pelo calendário católico em 26 de setembro e pelas religiões de matriz africana em 27 de setembro, Cosme e Damião são dois santos populares no Brasil.

A crença no país tem origem na colonização do povo brasileiro e passou por um forte sincretismo religioso, sendo considerados pelo cristianismo como patronos dos médicos e farmacêuticos, e pela umbanda e o candomblé como protetores das crianças, tornando-se uma data bastante aguardada por elas, pois marca o pagamento de promessas por meio da entrega de doces. Porém, é perceptível que a tradição vem perdendo o fôlego com o passar dos anos.

Dona Lúcia Helena Vieira, moradora do bairro Guede, distribui doces de São Cosme e São Damião há 40 anos. Ela nos conta que seguiu a tradição de seu avô, Sebastião Laurindo, o fundador do Centro Umbandista Santo Antônio e Vô Sebastião, no qual Lúcia está como presidente. A prática passou por gerações em sua família, estando viva há mais de um século.

Em entrevista à reportagem da Rádio Liberdade FM, a barrosense de 56 anos conta que a tradição vem se perdendo e acredita que isso se deve ao preconceito. Embora as crianças não possuam tal maldade, os adultos passam essa visão a elas. Lúcia conta que seus vizinhos mais antigos também faziam a distribuição dos doces nesta época do ano, mas suas famílias não deram continuidade ao trabalho por descrença ou provável término da promessa.

“Não é maldade, é apenas pedir bênçãos e coisas boas para nossos filhos. Do jeito que a gente anda em um mundo tão perdido, não tenha preconceito. […] Essa tradição é uma alegria para dar às crianças. Eu pretendo manter a tradição enquanto estiver viva”, finalizou a barrosense.

Em um mundo tão diverso e em constante evolução, a tradição do Dia de São Cosme e Damião é um lembrete valioso da importância de preservar nossas raízes e celebrar a generosidade e a inocência das crianças. Enquanto alguns possam duvidar, Dona Lúcia Helena e aqueles que seguem essa bela tradição continuam a compartilhar doces e amor, alimentando não apenas o corpo, mas também a alma das futuras gerações.

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