DADOS MOSTRAM OS CASOS DE AUTOEXTERMÍNIOS TENTADOS E CONSUMADOS EM BARROSO; VEJA QUAIS OS FATORES DE RISCO, SINAIS DE ALERTA E ONDE PROCURAR AJUDA

O suicídio continua sendo uma das principais causas de morte no mundo, de acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Geralmente, as taxas de autoextermínio são mais altas entre homens do que mulheres. As estatísticas trazem um alerta para os cuidados e detecção de sinais, bem como tratamentos.

Segundo os dados do Observatório de Segurança Pública de Minas Gerais, Barroso apresentou o quantitativo de 325 registros envolvendo autoextermínio entre 2012 e 2022, ou seja, em um período de 10 anos.

Deste número, 16 casos foram autoextermínios consumados, tendo o ano passado apresentado o maior número de casos, com 3 registros.

De 2020 para cá, período da pandemia, foram registradas 90 tentativas de autoextermínio. Somente em 2022 foram 34 casos, índice menor apenas que 2015 quando foram contabilizados 43 casos.

De acordo com a Psicóloga Cíntia Campos, os dados apresentados são ainda mais densos, pois grande parte dos casos não são registrados em atendimento hospitalar. Segundo a psicóloga, dos 15 atendimentos feitos por ela no último ano, 6 foram consumados, mas apenas 2 tiveram o registro feito.

FATORES DE RISCO

A fragilidade perante a vida pode vir a qualquer momento e afetar todo tipo de pessoa, sem discriminação. São condições e fatores acometidos que aumentam o risco de autoextermínio. Algumas das possíveis situações são:

– Ter uma doença mental não tratada como depressão, ansiedade, transtorno bipolar ou de conduta;

– Ter um transtorno de uso de substâncias;

– Estar gravemente doente, viver com uma doença crônica, terminal ou sentir dores significativas de longo prazo;

– Sofrer de lesão cerebral traumática;

– Situações de vida estressantes, especialmente aquelas que são prolongadas, incluindo bullying ou problemas de relacionamento;

– Situações repentinas estressantes ou traumáticas, como cuidados com entes enfermos ou a perda do mesmo;

– Ter sofrido trauma e abuso na infância;

– Ter acesso a meios letais;

– Ser exposto ao suicídio de outra pessoa;

– Tentativas de autoextermínios anteriores;

– Histórico familiar.

Fonte: Clínica Jequitibá

SINAIS DE ALERTA

É inexistente um padrão comportamental para quem sofre deste mal, algumas pessoas conseguem esconder seus sentimentos e intenções. Mas, segundo informações da Clínica Jequitibá, há sinais que podem ser claros ou fáceis de serem detectados, tais como:

– Falar sobre morrer ou querer morrer;

– Falar sobre se sentir vazio, sem esperança ou sem saída para problemas;

– Mencionar forte sentimento de culpa e vergonha;

– Falar sobre não ter um motivo para viver ou que os outros estariam melhor sem ele/ela;

– Retirada social e isolamento;

– Distribuir itens pessoais e resolver pontas soltas;

– Dizer adeus a amigos e familiares.

“As famílias ainda apresentam preconceitos ao falar sobre suicídio e a saúde mental, buscando cuidados alternativos como meio de preservar o ente querido, acabando por dificultar o tratamento e atrapalhando o desenvolvimento clínico da pessoa. Falar sobre o tema não incita a cometê-lo, pelo contrário, trazer dados, sintomas e formas de buscar ajuda podem servir de alerta e salvar vidas. Apesar de haver as campanhas do Janeiro Branco e Setembro Amarelo, é necessário um trabalho preventivo e informativo o ano todo e em todos os canais de informação”, ressaltou a Psicóloga Cíntia Campos.

ONDE PROCURAR AJUDA

Ao presenciar uma ameaça ou tentativa de suicídio, é de extrema importância entrar em contato pelo 190. Em casos onde não houver urgência, poderá ser acionado o Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo 188, onde há uma equipe de profissionais voluntários, qualificados, disponíveis 24 horas pelo telefone. O canal ainda possui um chat através do site oficial cvv.org.br.

Em Barroso, a busca por atendimento pode ser feita nas unidades básicas de saúde, que realizam atendimentos e fornecem o apoio necessário através das psicólogas do Bem Viver, nos PSFs e no CAPS.

A reportagem entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura solicitando a contribuição dos órgãos CRAS, CREAS e CAPS a respeito do trabalho realizado na cidade, porém, não houve resposta até o fechamento desta matéria.

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