Audiência Pública em Barroso abre debate sobre cães agressivos nas ruas da cidade

Casos de ataques de cães em situação de rua não são novidade e podem ocorrer em diversos municípios do país. Em Barroso, o tema ganhou repercussão no fim de julho, após uma gestante e uma jovem de 21 anos serem atacadas por animais enquanto passavam de moto nas imediações da Praça do Forninho e da Rodoviária. Os episódios, também relatados nas redes sociais, despertaram preocupação da população e abriram debate sobre a responsabilidade e o controle desses animais, muitas vezes vítimas de abandono.

Diante desse cenário, a Câmara Municipal de Barroso promoveu, na noite de quinta-feira (28), uma audiência pública para discutir o problema. A iniciativa partiu da vereadora Grasi Veterinária e reuniu autoridades, representantes jurídicos, médicos veterinários, protetores de animais e a comunidade. O encontro teve como objetivo buscar soluções que conciliem a segurança da população e o bem-estar dos animais.

“Fiquei muito feliz com o público de hoje. Desde o início do meu mandato ainda não tínhamos visto a Câmara tão cheia. É importante que a população esteja aqui, porque esta é a casa de leis, o espaço para trazer opiniões, cobrar soluções e mostrar os anseios da comunidade”, destacou a vereadora.

Durante a audiência, a vice-presidente da Associação Protetora dos Animais de Barroso (APAB), Luciana Miranda, apresentou o trabalho realizado de forma voluntária na cidade, incluindo castrações, acolhimento de animais em risco, adoções e ações de conscientização. Entre as propostas, a protetora independente de Prados, Polyana Abrantes, sugeriu o mapeamento de áreas de risco e a identificação de cães com comportamento agressivo, com o apoio de profissionais especializados, como veterinários comportamentalistas e adestradores.

Moradores também relataram experiências pessoais. Matias da Silva contou ter sido atacado por um cão de grande porte enquanto trafegava de moto. “Além da mordida, corri o risco de ser atropelado, porque precisei parar bruscamente. O problema é grave, vai muito além da mordida do animal”, afirmou.

O Executivo, representado pelo vice-prefeito Eduardo Pinto, destacou a importância da legislação municipal existente sobre a política pública para animais e anunciou a criação de um fluxograma para denúncias de maus-tratos. O documento será divulgado nos próximos dias e tem como objetivo agilizar a apuração, a investigação e a responsabilização em casos de abandono e violência contra animais.

A audiência durou mais de quatro horas e coincidiu com o “Agosto Caramelo”, campanha estadual voltada à proteção de cães e gatos, prevenção do abandono e incentivo à adoção responsável. Estimativas nacionais apontam que mais de 30 milhões de animais vivem em situação de abandono no Brasil.

A expectativa é que o debate em Barroso transforme a preocupação da comunidade em políticas públicas efetivas, capazes de garantir segurança à população e melhores condições de vida para os animais.

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